Bem-vindo Junho: e as sessões de solteiros
398 dias, 1 hora, 33 minutos e 17 segundos desde a última vez que vos escrevi. No sítio de sempre, com o cappuccino de sempre, e uma vela acesa… como sempre.
Hoje com Labrinth a acompanhar. E é engraçado pensar como, no espaço de um ano, o mundo parece completamente diferente. Entre coisas boas e menos boas, escolho focar-me no que me move, no que me inspira, no que me dá esperança na Humanidade.
Fomos à Lua e voltámos. Já lá tínhamos pousado várias vezes com as missões Apollo, mas a missão Artemis II foi a primeira que a nossa geração teve a oportunidade de acompanhar de perto. Apesar de não termos tocado na Lua desta vez, fomos ainda mais longe, vimos novas perspetivas. Chorei várias vezes. Foi bonito, foi muito bonito. E percebi, mais uma vez, que é a emoção das histórias que vivemos e presenciamos que nos move.
Sendo junho o meu mês favorito do ano, tinha de voltar a este cantinho onde partilho livremente o meu caminho pelo mundo das histórias de amor, dos casamentos e dos seus je ne sais quoi que os tornam especiais. E por falar em emoção, ontem recebi uma mensagem de uma noiva que se emocionou ao ver o vídeo da sessão de solteiros. Por isso, decidi escrever sobre elas.
A primeira sessão da season
O primeiro casal com quem tive a oportunidade de fazer sessão de solteiros nesta season de 2026 são a Diana e o Fábio. Quando falaram comigo pela primeira vez, já tinham uma ideia muito clara da vibe que queriam para o dia deles: genuína e sensível, divertida e vibrante, com um toque cinematográfico. Sabia que a sessão iria seguir esta linha, o que, pelo meu estilo, me agradou bastante.
A ideia
Quando reuni com o casal, eles mostraram-me as referências que tinham em mente. Depois de falar também com o fotógrafo, chegámos a acordo quanto à location. Neste caso, não foi preciso criar moodboard porque os noivos já nos tinham enviado as ideias e estávamos todos alinhados.
Noutros casos, após a reunião inicial, tento perceber qual a location que faz sentido com aqueles noivos, seja por motivos estéticos, seja por contar parte da história deles. Depois de definida, passamos para os looks e outfits, onde normalmente envio alguns moodboards e guidelines.
O dia da sessão
Começo sempre por momentos simples, com poucas indicações: caminhar de mãos dadas, uma slow dance, ou o noivo levantar a noiva ao colo. Momentos que fazem os noivos relaxar e ficarem à vontade com a câmara.
Depois, passo a indicações mais pensadas. As minhas inspirações vêm quase sempre de filmes, por isso as minhas direções geram ações contínuas, com início, meio e fim. Às vezes, para os fazer entrar no momento, conto-lhes a história deles, a mesma que me contaram nas reuniões. É quase como direção de atores. Dou-lhes inputs como pedir-lhes para olharem olhos nos olhos enquanto caminham. E a verdade é que, mais à frente na sessão, já o fazem automaticamente, sem eu dizer nada. A ação tornou-se inconsciente. No dia do casamento, acontece o mesmo: uma ação pensada na sessão torna-se natural e genuína no grande dia, porque no dia do casamento as indicações, a meu ver, devem ser mínimas.
Para além das indicações, há sempre uma atenção aos in between moments, aqueles momentos genuínos e irrepetíveis que tento antecipar e captar.
Por último, o feedback positivo ao longo da sessão é essencial. Muitas pessoas acham que não são fotogénicas e, por isso, não conseguem descontrair com facilidade. É parte do meu trabalho passar-lhes o entusiasmo que precisam para se sentirem bem, confiantes e à vontade.
O processo criativo
Após a sessão, começo por selecionar as imagens que me vão ajudar a contar a história daquele casal. Depois, escolho a música, ou conjunto de músicas, que se enquadre nos momentos-chave.
Um dos meus momentos favoritos é a criação da voz off. Não sei se já perceberam, mas adoro escrever, e escrever voz off é um processo que acho particularmente interessante. Não gosto que seja demasiado óbvia em relação ao que se vê na imagem, mas que ajude a transmitir a história do casal e faça sentido com a envolvência da sessão. Faço uma pequena seleção de palavras que definem aquele casal, e parto daí. Depois, é encontrar um voice over artist que se adeque ao mood do projeto.
Com imagem, música e voz selecionadas, o resto torna-se num processo intuitivo até ao produto final.
A importância das sessões de solteiros
As minhas sessões de solteiros são oferecidas aos noivos que queiram usufruir desta oferta. Por isso, em termos criativos, seguem a minha linguagem. São momentos onde consigo ser mais editorial e explorar a minha criatividade.
Há colegas que têm a sessão como extra, e está tudo certo. Mas se fores um casal e tiveres a oportunidade de adquirir esse extra, fá-lo. Estas sessões são ótimas para conhecerem as pessoas com quem vão trabalhar no grande dia, ficarem confortáveis com a nossa presença e com a câmara, e verem-nos como parte integrante do vosso dia, o que torna tudo muito mais natural.
Deixo-vos a sessão Monastery Dreams para vos inspirar!