Sabem aqueles dias em que acordamos e sentimos necessidade de refletir sobre os últimos tempos? Sobre os caminhos que percorremos para chegar onde estamos hoje? Sobre os que ainda queremos percorrer para tocar na lua? Hoje foi um desses dias. Pus os meus phones, play em RY X no Spotify e deixei-me levar pelos pensamentos.
Lembrei-me que, há cerca de dois anos, recebi uma resposta de uma noiva numa caixinha de perguntas no Instagram. Tinha perguntado quais eram os destinos de sonho para 2023 e alguém respondeu: "Picos da Europa". Coincidentemente, também estava na minha bucket list desse ano. Nunca fui pessoa de definir grandes metas de Ano Novo, mas há sempre uma lista de viagens guardada numa gaveta na cabeça. O que não esperava era que, poucos instantes depois, a Marina – essa mesma noiva – me respondesse: "Easy! June 2023 for me and Miguel's wedding!" Saltei da cadeira! O meu primeiro destination wedding foi confirmado da forma mais inesperada e querida, e num sítio que já queria conhecer!
Foram cinco horas de viagem, chuva intensa e um coração a mil. Estava ansiosa. Não conhecia Gijón, não sabia ao certo quais eram as tradições dos casamentos em Espanha. Imaginava que fossem parecidas às nossas, mas nunca são a 100%. Sentia aquele nervoso miudinho porque queria contar a história deles de uma forma bonita, captar imagens que, além de retratarem o dia, conseguissem também eternizar aquele momento tão especial para mim: o meu primeiro destination wedding, a minha experiência, os costumes e tudo o que significava sair da minha zona de conforto.
Gijón, nas Astúrias, recebeu-me com uma experiência única, repleta de tradições que nunca tinha visto em Portugal. Algumas ficaram-me na memória para sempre.
A primeira? A stylist a vestir a noiva. Em Portugal, as noivas são quase sempre vestidas pelas mães, madrinhas ou amigas próximas. Em Gijón, reparei num detalhe que me encantou assim que entrei no quarto da Marina: um esboço do seu vestido, ali, pousado. Nunca tinha visto nada assim e imaginei logo como seria ter um desenho de um vestido meu – onde o colocaria? Emoldurado na minha casa de sonho, naquele closet minimalista? Pequenos detalhes que nos fazem viajar. E qual não foi o meu espanto quando, momentos depois, entraram a stylist e a sua assistente para vestir a Marina. E fez-me todo o sentido: as pessoas que criaram o vestido, que o imaginaram, que o trouxeram à vida, vinham agora dar o toque final, garantir que assentava na perfeição, que tudo estava exatamente como no desenho. Era o fechar de um ciclo, um momento íntimo entre a noiva e quem a acompanhou nesse processo tão especial.
Outro detalhe que me surpreendeu? O cuidado com os convidados – mais precisamente, com os adultos. Em Portugal, há sempre uma mesa cheia de gomas para as crianças. Em Espanha, para além disso, há também a mesa dos adultos: uma seleção variada de tabaco – charutos, cigarrilhas, cigarros, tabaco de enrolar, mortalhas, filtros, isqueiros Zippo – e, ao lado, uma garrafa de whisky. Mesmo para quem não fuma, há algo de charmoso e sofisticado nesta tradição. Achei que elevava a experiência do casamento de uma forma interessante e inesperada.
Podia ficar aqui a contar-vos mais sobre este dia, mas estes dois detalhes foram os que mais me marcaram – e, se fosse eu a noiva, adoraria incluí-los no meu próprio casamento. Para mim, enquanto videógrafa, foram elementos que trouxeram uma dimensão diferente à forma como contei esta história.
Viajar não é só conhecer novas culturas e línguas. Ensina-nos sobre o amor e as diferentes formas de celebrá-lo.
Regressei de Gijón com o coração cheio, novas aprendizagens e mais uma linda história para contar.