Março, o mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher. Penso que o que se celebra em março não é apenas no dia 8, mas sim todos os dias. Na verdade, deveria ser assim todos os dias, em todos os dias. Mas os tempos que correm tendem a contrariar essas datas e, desculpem-me a minha visão política neste blog intimista, mas março é um mês marcado por lutas, conquistas e lembranças de todas as mulheres que vieram antes de nós.
Hoje, aqui estou eu acompanhada pela minha vela acesa, o meu cappuccino (na minha caneca do Another Angelo, que diz “ama-te mas é”) e com Miley Cyrus no background – a versão demo de Flowers em loop (que aliás, acho muito mais bonita que a versão original porque empodera a sua voz) - uma mulher com uma presença marcante nesta luta pelos direitos das mulheres e pela igualdade.
Sabem que a minha curiosidade leva-me sempre a procurar e relembrar o porquê dessas datas e, então, aqui vai:
8 de março nasceu da força de mulheres que, ao longo da história, se levantaram contra a injustiça e a desigualdade. No início do século XX, operárias têxteis em Nova Iorque e mulheres na Rússia foram protagonistas de movimentos que mudaram o curso da história. Embora a data tenha sido oficializada pela ONU em 1977, o espírito de resistência das mulheres sempre esteve presente. Desde então, março tornou-se um mês de reflexão, para nos lembrar que cada conquista é fruto de luta, sonhos e coragem.
E por isso, hoje quero falar da Mulher, só e apenas.
A noiva.
Antes do grande dia, para mim, há um momento importante para a noiva, que é a despedida de solteira. Sabem, ou já devem ter percebido por esta altura, que vejo os dias de casamento e os seus costumes de uma forma um pouco peculiar e fora do tradicional. E a despedida de solteira não é diferente. Para mim, é a celebração de uma fase de transição na vida de uma mulher. É o momento em que ela se prepara para uma nova etapa e é celebrada na sua individualidade, no que ela é, como pessoa. É um momento de conexão com pessoas especiais. Diria até que há mesmo situações em que a noiva fortalece relações com pessoas que, por muito especiais que sejam, por situações da vida, estariam mais afastadas até esse momento. Esta despedida é sobre a mulher que se está a casar, mas é também sobre quem ela é hoje, a sua jornada até ali e as suas aspirações para o futuro. E sim, este momento deve ser pensado e adaptado a ela, à mulher que está a ser celebrada. Se ela idealizou uma viagem com as amigas, um jantar num sítio especial ou uma experiência única, é isso que se deve fazer. Não apenas o tradicional, o que é suposto. A despedida de solteira é, apesar de tudo, um momento de preparação e reflexão emocional e afetiva para esta mulher.
Um dos momentos que acho mais importantes no dia do casamento são os preparativos da noiva. Os preparativos são, mais do que um simples ritual, mais do que a preparação para o grande dia em si. São um momento de introspeção, de conexão consigo, com os seus sonhos e desejos. É o momento em que ela se olha como a Mulher que é e se sente plena, com confiança no que a espera. E por isso, cada detalhe deste momento tem uma carga emocional muito grande: qual o ritual escolhido, o auto-cuidado nesse dia, quem são as pessoas com quem quer partilhar este momento, o impacto que este ambiente calmo e bem planeado pode ter no seu humor e confiança ao longo do dia.
Por isso, madrinhas, mães, amigas, tias… estes dois momentos são acerca da noiva. São momentos de celebrar a mulher que está a ser celebrada. São momentos de olhar para ela na sua essência, na sua individualidade, na sua importância. Uma mulher que tem desejos, que tem sonhos, que tem quereres, que tem liberdade. E que, se ela se quiser afastar do que vocês acham certo ou tradicional, como mulheres, devem ser as primeiras a impulsionar as suas vontades e o seu estado de espírito.
Que cada mulher tenha a liberdade de escrever sua própria história, forte e dona do seu destino.
Março não é apenas um mês, mas um símbolo do poder de cada mulher que se recusa a ser definida por padrões, e que decide, sem medo, escrever a sua própria história.