São Valentim e o Amor, seja ele qual for

Dia de São Valentim. Confesso que sou daquelas pessoas que não dá grande importância ao Dia de São Valentim. Digo sempre a mim mesma que, se este dia celebra o amor, o romantismo e o carinho, então, deveria ser algo para se viver todos os dias, em todos os momentos. Como boa hopeless romantic, acredito que o amor deve ser celebrado sempre. Aqui estou, a ouvir Man I Trust e a beber o meu café, a pensar: o que é o amor? Quais as formas que ele pode assumir?

E é neste momento que o tempo pára, e tudo à minha volta começa a tomar forma. A verdade é que, no meu dia-a-dia, tenho a tendência de romantizar tudo. O café de manhã com espuma de leite e um toque de canela, o acender de uma vela ao meu lado, a escolha da música certa para o que estou a sentir, ou a escolha da cadeira na sala que tem mais luz para fechar os olhos e sentir o sol na cara enquanto viajo nos meus pensamentos. Isso é uma forma de amor, não é? O simples gesto de respirar fundo ao agarrar no meu livro, porque sei que vou mergulhar nas palavras e na história, e quero absorver tudo. Também isso é amor, certo?

Até o momento de começar a trabalhar exige a sua dose de romantização: o meu espaço arrumado, uma vela acesa, uma caneta bonita ao meu lado, uma caneca especial. A verdade é que vou trabalhar histórias de amor, momentos de celebração, e esses devem ser tratados com o maior carinho que consigo dar. E isso também é uma das formas de amor, não é?

E já que hoje é o Dia de São Valentim, curiosa que sou, quis saber um pouco mais sobre o porquê deste dia, na sua forma mais romântica. Reza a história que, na Roma do século III, havia um padre chamado Valentim. Naquela época, o imperador Cláudio II decretou que os jovens soldados não poderiam casar, acreditando que homens solteiros eram melhores guerreiros, pois não tinham ninguém que distraísse o seu coração. Valentim discordava. Para ele, o amor era a expressão mais pura do coração, um sentimento que merecia ser vivido. Por isso, continuou a celebrar casamentos em segredo, unindo casais que sonhavam com um futuro juntos. Não demorou até que o imperador soubesse do seu acto de rebeldia. Valentim foi preso e condenado à morte.

Nos dias sombrios que antecederam a sua execução, encontrou luz nos olhos da filha do seu carcereiro. Ela cuidou dele com alimento e, ao mesmo tempo, cuidou do seu coração com um sentimento que palavras não podiam explicar. No seu último dia, Valentim escreveu-lhe uma carta de despedida, assinando-a com as palavras "Do teu Valentim". Diz-se que foi este simples gesto que deu origem à tradição das mensagens de amor trocadas no Dia de São Valentim, mantendo viva, até hoje, a memória de um homem que acreditava que o amor deveria triunfar sobre tudo.

Pensando um pouco sobre esta história, pondero outras formas que o amor pode tomar: o amor está em todos os detalhes, e eu que adoro pormenores. O amor é aceitação, é o cuidar, é o respirar de motivação que nos faz seguir. O amor é a intensidade dos momentos, sejam eles pequenos ou grandes. O amor é observar o orvalho a cair nas folhas, é ver o nascer do sol no pico mais alto da montanha com um saco de pipocas na mão, como se fosse uma sessão de cinema, o amor são as palavras quentes de quem está longe e que fazem o coração estremecer, mesmo com os pés ainda firmes no chão.

Nos grandes dias em que celebramos o amor — e eu acredito que o amor é uma celebração constante —, o amor está no friozinho na barriga, na curiosidade de como estará o outro e, quando finalmente nos vemos, é o olhar nos olhos e sentir o tempo parar, apesar de toda a gente que amamos estar à nossa volta. O amor é o sorriso envergonhado que trocamos nesse momento. São as lágrimas do nosso pai, no momento em que sabe que já não está nas suas mãos cuidar de nós, e está a entregar-nos a outra pessoa para o fazer. O amor são as palavras da nossa irmã, que faz o discurso mais bonito da sua vida no nosso grande dia. É o abraço da nossa mãe, pura felicidade ao saber que criou a pessoa mais bonita do mundo. O amor é ver o nosso melhor amigo, o padrinho, a chorar porque está a celebrar o nosso amor, a nossa felicidade.

O amor é isso, é o sentir no seu estado mais puro.